Correção técnica traz fôlego à curva, mas risco fiscal segue no radar
B3 – Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) encerraram a quinta-feira (14) em queda, devolvendo parte dos prêmios acumulados na véspera, quando o áudio entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro acendeu o alerta político no mercado.
- Em resumo: DI jan/29 recuou 5 pontos-base, a 13,995%, enquanto o vértice jan/27 caiu para 14,190%.
Do estresse ao alívio: o que mudou em 24 horas?
A reprecificação veio após o chamado “Flávio Day 2.0”, que havia empurrado os contratos curtos a saltos de até 36 pontos-base. Nesta quinta, porém, um leilão menor de títulos do Tesouro Nacional e a ausência de novas surpresas políticas permitiram correção. “O movimento foi essencialmente técnico”, avaliou Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, citado pela Reuters.
“A curva ainda carrega prêmio relevante porque o mercado duvida do compromisso fiscal do governo e vê aumento de incerteza eleitoral”, afirmou Tavares.
Impacto no bolso: de Selic futura a crédito mais caro
Mesmo com o recuo, as taxas longas – DI jan/36, por exemplo, a 14,110% – permanecem acima dos níveis de início do mês, refletindo a combinação de risco fiscal doméstico e juros externos em alta. Os yields dos Treasuries de dez anos subiram para 4,483% no mesmo dia, reforçando a pressão sobre emergentes.
Para o investidor, a correção alivia a perspectiva de custo de captação no curto prazo, mas não muda o quadro de cautela: a mediana das projeções para a Selic no fim de 2024 continua em 9,0%, segundo o último Focus. As curvas de crédito ao consumidor e ao setor imobiliário tendem a seguir sensíveis a qualquer nova oscilação política.
O que você acha? A trégua do mercado de DI será duradoura ou um novo capítulo político voltará a pressionar as taxas? Para acompanhar análises diárias, acesse nossa editoria de Mercado Financeiro.
Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central