Investida de Joesley Batista indica que setor de defesa virou “ativo quente” para 2026
Avibrás Aeroco – Após três anos de agonia financeira e 1.281 dias de fábricas paradas, a companhia retomou a produção em São José dos Campos graças a um aporte emergencial de R$ 300 milhões que tem entre os investidores o bilionário Joesley Batista, da JBS. O movimento confirma a escalada de liquidez em torno da indústria militar brasileira, que viu os gastos nacionais saltarem 13% em 2025, muito acima da média global de 2,9%.
- Em resumo: Capitalização evita falência da líder em mísseis e põe Brasil no radar de aquisições internacionais.
Gastos globais batem US$ 2,9 tri e empurram ações bélicas
De acordo com o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), o planeta direcionou um recorde de US$ 2,887 trilhões à defesa no último ano — cenário que atrai fundos e grandes fortunas para fabricantes de armamentos. A Reuters destacou que países da Otan aceleram pedidos após conflitos recentes, abrindo espaço para exportadores fora dos eixos EUA–Europa, caso do Brasil.
Os gastos militares brasileiros alcançaram US$ 23,9 bi em 2025, maior patamar da América do Sul e 13% acima de 2024, segundo o SIPRI.
Por que a Avibrás virou peça-chave na geopolítica
Fundada em 1961, a Avibrás domina nichos de foguetes de saturação e mísseis de cruzeiro — tecnologia rara fora do G7. Com a carteira de pedidos global esvaziada pela recuperação judicial iniciada em 2022, a empresa tornou-se alvo de chineses e árabes, mas a preferência do governo por capital nacional travou negociações. A entrada de Batista garante recursos para reativar a linha Astros II, sistema já utilizado por 12 países.
O “selo neutralidade” brasileiro também pesa. Analistas lembram que a política externa não alinhada amplia a lista de clientes em meio a embargos cruzados, enquanto o câmbio acima de R$ 5,00 torna os equipamentos locais até 30% mais baratos em dólar.
Efeito multiplicador: empregos, PIB e Bolsa
A Base Industrial de Defesa responde por 3,5% do PIB e sustenta quase 3 milhões de postos diretos e indiretos. A aceleração de encomendas tende a reforçar esse peso, justamente quando a economia local ensaia desaceleração com a Selic em 10,50% ao ano. Para investidores de Bolsa, o case Embraer — que fechou seu maior contrato de C-390 com os Emirados Árabes — ilustra o upside: as ações saltaram 180% em 24 meses. Caso a Avibrás busque IPO quando estiver saneada, o mercado já aposta em prêmio semelhante.
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Crédito da imagem: Divulgação / Avibrás Aeroco