Liquidez 24h e aporte de R$ 1 ameaçam a margem dos grandes bancos
Tesouro Nacional – O recém-lançado Tesouro Reserva, que garante 100% da Selic com resgate 24 horas via Pix, abriu uma disputa direta pelos R$ 3,6 trilhões estacionados em depósitos a prazo e pode detonar uma corrida dos “bancões” para elevar a remuneração de seus CDBs, encarecendo o custo do crédito no país.
- Em resumo: Bancos podem ter de ofertar 105% a 110% do CDI para segurar investidores.
Pressão imediata sobre captação e empréstimos
Análises de casas independentes indicam que, se o Tesouro Reserva ganhar escala, a diferença de risco soberano versus bancário forçará Itaú, Bradesco e Santander a aumentar o retorno dos CDBs DI, segundo executivos ouvidos pela InfoMoney. Dados da Anbima mostram que o varejo já mantém R$ 633 bilhões nesses papéis; qualquer migração significativa elevará o custo de funding, que deve ser repassado nos juros finais, alertou um gestor ao serviço de notícias de referência.
“Caso o produto se popularize, veremos ofertas de 110% do CDI já no curto prazo”, projeta André Matos, CEO da MA7 Negócios.
Mais um revés para fundos DI e para a briga por liquidez
Além dos CDBs, fundos DI de caixa — já pressionados por taxas de administração e pelo come-cotas — perdem ainda mais competitividade. Enquanto esses veículos recolhem IR semestralmente, o Tesouro Reserva tributa apenas no resgate, aumentando o efeito dos juros compostos. O movimento ocorre em um momento de política monetária ainda restritiva: a Selic está em 10,75% ao ano, após quatro cortes consecutivos, e o Banco Central sinaliza cautela diante da inflação de serviços. Caso os cortes continuem, a batalha por cada ponto percentual de rendimento tende a ficar ainda mais acirrada.
O que você acha? Você migraria parte do seu caixa para o Tesouro Reserva se o seu banco não melhorar a taxa do CDB? Para mais análises sobre renda fixa e mercados, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Getty Images / Unsplash