Setor privado pressiona Planalto e Casa Branca por acordo urgente
Amcham Brasil – A entidade advertiu recentemente que a tarifa de 25% cogitada pelos EUA pode elevar custos, corroer a competitividade de empresas nacionais e travar fluxos bilionários de investimento direto entre os dois países.
- Em resumo: recomendação do USTR mira todos os produtos brasileiros, exceto itens estratégicos, e ainda pode ganhar força com nova investigação sobre trabalho forçado.
Investidores temem impacto sobre competitividade e câmbio
Embora o relatório divulgado pelo Representante de Comércio dos EUA ainda seja preliminar, gestores já projetam repasse de preços e pressão sobre o real caso a tarifa avance. Para exportadores de manufaturados de média complexidade, a margem de lucro poderia encolher até 15%, segundo cálculos de consultorias ouvidas pelo mercado.
“O relatório não é final e ainda há tempo para evitar novas tarifas”, reforçou Abrão Neto, presidente da Amcham, ao pedir “esforço diplomático coordenado” entre Brasília e Washington.
Histórico de tensões e cenário eleitoral ampliam a incerteza
O atrito emerge em ano eleitoral nos Estados Unidos, quando a Casa Branca busca mostrar firmeza comercial após embates com China e México. Desde 2018, medidas similares somaram mais de US$ 80 bilhões em tarifas adicionais globalmente, de acordo com a Organização Mundial do Comércio.
Analistas lembram que o Pix, citado na investigação como suposto “competidor desleal” de empresas americanas de pagamento, tornou-se dominante no Brasil: ultrapassa 150 milhões de usuários e movimentou R$ 17,2 trilhões em 2025, segundo dados do Banco Central. Qualquer contestação ao sistema pode afetar planos de internacionalização de fintechs brasileiras e atrasar a futura integração com plataformas de instant payment do exterior.
No pano de fundo, o Federal Reserve mantém juros elevados, puxando dólares de mercados emergentes; uma barreira tarifária adicional poderia acelerar a saída de recursos e pressionar o CDS brasileiro, hoje perto de 170 pontos, máximo em oito meses.
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Crédito da imagem: Divulgação / EPA/Shutterstock via BBC