Retração de 4,5 pontos-base expõe aposta em cortes moderados e risco geopolítico
Curva de juros futuros – Na última terça-feira (2), as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam majoritariamente no vermelho, sinalizando que os investidores ainda enxergam espaço para uma Selic terminal mais baixa, mesmo com a escalada de incertezas externas que pode pesar no prêmio de risco local.
- Em resumo: DI jan/27 caiu a 14,160%, recuo de 4,5 p.b., enquanto Copom segue com 74% de probabilidade de corte de 25 p.b. em junho.
Selic terminal em debate: projeções sobem, mas curva aponta alívio
Instituições como Porto Asset e C6 Bank ajustaram suas projeções, passando a ver a taxa básica entre 13,50% e 13,75% em 2026. Ainda assim, a liquidez da B3 indica que o mercado sustenta a expectativa de afrouxamento mais cedo, movimento corroborado pela queda simultânea dos yields dos Treasuries norte-americanos, segundo dados compilados pela Reuters.
A taxa de DI para janeiro de 2027 recuou 4,5 pontos-base, fechando em 14,160%, enquanto o DI jan/29 cedeu à mínima de 14,015%.
Tarifa de 25% dos EUA e tensão Washington-Teerã elevam prêmio de risco
O anúncio de uma possível tarifa de 25% sobre produtos brasileiros adicionou um componente de aversão a risco que se somou às declarações cruzadas entre Washington e Teerã. Historicamente, choques geopolíticos tendem a fortalecer o dólar e elevar custos de proteção cambial, pressionando a ponta longa da curva doméstica. Ainda assim, o recuo dos DIs sugere que a força da desinflação local — o IPCA acumulou 3,93% em 12 meses até março, bem abaixo do pico de 12,13% em 2022 — mantém viva a aposta em cortes graduais do Copom.
Além disso, o Banco Central já retirou parte da liquidez excessiva de curto prazo através de leilões de compromissadas, o que historicamente mitiga volatilidade na curva. Caso o conflito no Oriente Médio se intensifique ou as tarifas americanas avancem no Congresso, o prêmio de risco pode voltar rapidamente, como ocorreu em 2018 após a greve dos caminhoneiros.
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Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central