Movimento indiano ameaça enxugar oferta global de açúcar e turbinar as exportações de etanol do Brasil
Índia – O governo de Nova Déli lançou recentemente a gasolina E85, com 85% de etanol, quadruplicando a atual mistura vendida no país. A medida reduz a dependência de petróleo importado e, de quebra, pode disparar a demanda pelo biocombustível e pelo açúcar brasileiros.
- Em resumo: se a procura interna indiana explodir, o Brasil vira fornecedor imediato de álcool combustível e açúcar.
Etanol 20 rúpias mais barato: sinal verde para o consumo
O ministro do Petróleo, Hardeep Puri, afirmou que o E85 custará 20 rúpias a menos por litro do que a gasolina E20, incentivo direto para um mercado que já cresce 9% ao ano. Segundo a Reuters, a Índia tem capacidade instalada para 19 bilhões de litros, mas consome apenas 11,5 bilhões.
A produção brasileira somou pouco mais de 37 bilhões de litros em 2025, quase o dobro da demanda atual indiana, mostrando folga para atender novos pedidos.
Efeito colateral: menos cana para açúcar, preços em alta
Desviar cana para etanol significa encolher a oferta de açúcar no segundo maior produtor global. Historicamente, qualquer corte indiano eleva cotações em Nova York e Londres. Em abril, o contrato futuro do açúcar bruto tocou o maior patamar em 12 anos, reflexo de restrições de exportação indianas somadas ao El Niño que já afeta lavouras asiáticas.
Analistas lembram que, em 2022, uma política semelhante da Tailândia injetou US$ 1,3 bilhão extra nas usinas brasileiras, graças ao prêmio de exportação. Com o câmbio acima de R$ 5, cada cent de alta na ICE pode acrescentar R$ 250 milhões à receita do setor, reforçando a balança comercial e estimulando investimentos em cogeração de energia nas usinas.
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Crédito da imagem: Divulgação / Indian Oil Corp.