Peça histórica do boxe expõe tensões entre colecionadores e grandes executivos
Frank Bisignano — executivo que acumula cargos de peso no governo norte-americano — tornou-se réu em um processo que pode redefinir a segurança jurídica no lucrativo mercado de memorabilia. Ele é acusado pelo colecionador Eric Inselberg de reter um par de shorts usados por Muhammad Ali em 1977, hoje cotado em US$ 800 mil, mesmo após a quitação de um empréstimo de US$ 500 mil que teria sido garantido pelo item.
- Em resumo: calção do último combate de Ali no Madison Square Garden é o centro de uma batalha judicial adiada para setembro.
De empréstimo de US$ 500 mil a um calção lendário de 1977
Segundo o processo, Inselberg entregou dezenas de peças raras a Bisignano em 2010 como garantia de financiamento para um negócio de tecnologia. Ele alega que, entre os objetos, estava o calção branco com listras pretas usado por Ali. Já Bisignano nega ter recebido o item, classificando a avaliação de US$ 800 mil como “absurda”. O confronto jurídico inclui depoimentos de testemunhas como Lou Lampson, que diz ter visto o calção pendurado na residência do executivo.
“O empréstimo agora envolveu Bisignano em uma década de litígios vexatórios”, afirmam advogados do executivo nos autos.
Mercado de memorabilia dispara e aumenta número de litígios
O impasse reflete o boom global de colecionáveis esportivos. Somente em 2022 esse segmento ultrapassou US$ 26 bilhões em vendas, segundo a Reuters, estimulando investidores a buscar itens raros como proteção de carteira. A alta valorização também incentiva disputas judiciais, pois contratos de garantia ainda carecem de padronização.
Especialistas lembram que, no Brasil, decisões recentes do Superior Tribunal de Justiça em casos de arte e antiguidades reforçaram a necessidade de documentação detalhada — fator que deve ganhar força nos EUA após o veredito deste processo.
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Crédito da imagem: Divulgação / InvestNews