Descompasso de preços pressiona Páscoa e mexe com estratégia de quem investe em commodities
FGV IBRE – Levantamento recente mostra que, mesmo com o cacau derretendo nos mercados globais, o chocolate encareceu 16,7% em 12 meses, cenário que liga o alerta para quem olha o ETF COCO como saída de proteção ou ganho.
- Em resumo: varejo repassa alta passada, enquanto a matéria-prima já corrige mais de 60% lá fora.
ETF COCO: exposição fácil, mas com armadilhas de contratos futuros
O ETF negociado em Londres rastreia índices de cacau via contratos futuros e, por isso, pode divergir do preço à vista. Segundo analistas, fatores como rolagem e contango costumam corroer retorno, fenômeno já discutido pela Bloomberg em relatórios de commodities.
“O desempenho do ETF nem sempre replica fielmente a cotação spot; a dinâmica da curva pode ampliar perdas ou ganhos”, alerta Geraldo Búrigo, CNPI.
Por que o cacau despencou, mas o chocolate não acompanha a queda?
A normalização das safras na África Ocidental, câmbio mais firme e menor apetite global derrubaram o cacau. Já no Brasil, a indústria trabalha com estoques antigos, contratos caros e custos extras – açúcar, embalagens, energia e logística – que mantêm o preço final pressionado. Além disso, o IPCA de alimentos ainda roda acima do centro da meta, reforçando a inércia.
Historicamente, o cacau é uma das soft commodities mais voláteis: entre 2024 e 2025 disparou e, em 2026, chegou a tombar 50%, lembram especialistas. Investir no ETF exige estômago para variações bruscas e carteira diversificada. A recomendação de gestores é limitar a posição a, no máximo, 5% do portfólio e rebalancear diante de mudanças climáticas ou fiscais que afetem o setor.
O que você acha? Vale encarar essa montanha-russa por alguns pontos percentuais a mais? Para mais análises de investimento em commodities, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / FGV IBRE