Boom dos fundos de risco elevado expõe chance e perigo para investidores
051 Capital – Levantamento recente mostra que o patrimônio destinado a fundos de special situations disparou de R$ 1,5 bi para R$ 13,4 bi em uma década, impulsionando 51 gestoras que oferecem retornos estimados entre 25% e 40% ao ano.
- Em resumo: dinheiro novo busca oportunidades em reestruturações e créditos judiciais, mas travas de liquidez podem chegar a 15 anos.
Juros altos abrem espaço para retornos de dois dígitos
Com a Selic acima de dois dígitos e a concessão bancária cada vez mais seletiva, empresas pressionadas por caixa recorrem a capital alternativo. Esse ambiente criou um recorde de pedidos de recuperação judicial, segundo dados da Bloomberg, o que amplia a janela de entrada para gestoras como Prisma, Jive e Chimera.
“O investidor pode ficar 15 anos preso no fundo, mas o retorno pode chegar a 25% ao ano”, ressalta Flávio Aragão, sócio da 051 Capital.
Créditos judiciais, distressed assets e o risco de concentração
As estratégias variam de legal claims — comprados com deságio de até 60% — a financiamentos para companhias em recuperação, remunerados em CDI + 15%. A baixa correlação com a Bolsa ou com títulos pré-fixados torna o produto atrativo para diversificação. Ainda assim, analistas alertam: excesso de capital pode achatar retornos futuros se os spreads de risco encolherem.
Do lado do investidor, a aplicação mínima recuou para cerca de R$ 250 mil graças a estruturas feeder, mas o perfil necessário continua sendo “qualificado”. A própria Comissão de Valores Mobiliários discute ampliar o acesso, o que pode destravar mais liquidez no médio prazo e reduzir a assimetria de informação que ainda cerca o setor.
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Crédito da imagem: Divulgação / Record