Por que as criptos lastreadas viraram porto seguro após março turbulento
USD Coin (USDC) – A stablecoin de dólar desponta como protagonista no início de abril, refletindo a busca de investidores por proteção imediata depois da escalada de incertezas geopolíticas e macroeconômicas que sacudiu o mercado cripto em março.
- Em resumo: Stablecoins de dólar e de ouro concentram mais recomendações do que o próprio Bitcoin para este mês.
Fluxo institucional empurra dólar digital ao centro do ecossistema
A preferência por ativos pareados a moedas fortes ganhou tração com o aumento do uso de stablecoins em pagamentos internacionais, remessas corporativas e projetos de tokenização – tendência confirmada por dados da Reuters sobre o salto de 18% no volume transacionado desde janeiro.
“Mais do que um ativo defensivo, o USDC se consolida como peça central da infraestrutura financeira baseada em blockchain”, reforça Marcelo Person, diretor de mercados da Foxbit.
Ouro tokenizado entra no radar como escudo contra risco fiscal
Além do dólar digital, tokens como Tether Gold (XAUT) e Pax Gold (PAXG) atraem quem vê o metal precioso como hedge clássico. A combinação de custos de financiamento mais altos, projeções de déficit nos EUA e tensões no Oriente Médio sustenta a cotação do ouro acima de US$ 2.200 por onça, reforçando o apelo dos criptoativos lastreados no metal.
Historicamente, em ciclos de aperto monetário pelo Federal Reserve, o ouro físico sobe cerca de 12% em média nos 12 meses seguintes, segundo série do World Gold Council. A tokenização permite acesso fracionado e liquidez 24/7, algo inexistente no mercado tradicional de barras.
Bitcoin, Ethereum e Solana mantêm espaço — mas perfil muda
Embora o Bitcoin (BTC) preserve a liderança nominal de recomendações, analistas sinalizam um papel mais defensivo, ancorado em aportes de ETFs spot e nas chamadas Bitcoin Treasury Companies. No mesmo movimento, Ethereum (ETH) e Solana (SOL) seguem no pódio pelo valor de infraestrutura, impulsionados por avanços regulatórios e expectativa de novos ETFs.
Para quem avalia exposição, especialistas sugerem combinar blue chips com stablecoins para rebalancear rapidamente em cenários de choque, prática facilitada por redes como Tron e Chainlink, indicadas pelo suporte técnico à USD1, o “dólar digital” privado ligado à World Liberty Financial.
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Crédito da imagem: Divulgação / Valor Investe