Empresas de vários setores já sentem o peso do crédito caro no caixa
Serasa Experian — Dados divulgados recentemente em transmissão da Record mostram que, em média, 100 companhias brasileiras recorreram à recuperação judicial a cada mês em 2023, estabelecendo um recorde e revelando o estrago que o ciclo prolongado de juros elevados causa no fluxo de caixa das empresas.
- Em resumo: 1.213 pedidos de RJ foram protocolados em 2023, alta de 68% frente a 2022.
Por que o número dispara?
O salto coincide com o período em que a taxa Selic permaneceu no patamar de 13,75%, limitando o acesso a capital de giro e encarecendo dívidas corporativas, segundo análise da Reuters sobre política monetária.
“Com os juros reais acima de 7%, muitas companhias não conseguem rolar passivos nem captar novos recursos, restando a recuperação judicial como última trincheira”, resume o economista Renan Araujo, da Serasa Experian.
Efeito dominó para empregos e investimentos
A escalada de pedidos eleva o risco de demissões em massa, especialmente nos setores de varejo e serviços, que dependem fortemente de capital de giro. Historicamente, cada recuperação judicial gera impacto indireto em fornecedores e no emprego: em 2016, o recorde anterior foi seguido por queda de 1,8% no emprego formal no ano seguinte.
A tensão nos tribunais ocorre enquanto o Banco Central sinaliza cortes graduais nos juros, mas o mercado ainda projeta Selic acima de 9% no fim de 2024 — nível distante do pré-pandemia, quando empresas captavam recursos a custos bem menores.
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Crédito da imagem: Divulgação / Serasa Experian