Trégua no Oriente Médio derruba a cotação e muda projeções de custos
Petróleo Brent – Cotado a US$ 94,80 após um tombo de 13%, o benchmark internacional abre espaço para alívio imediato no bolso do brasileiro, sobretudo no preço do diesel que sustenta o transporte de cargas e a safra agrícola.
- Em resumo: Queda global de até 15% no barril reduz pressão sobre o pacote de subsídios do Governo Lula.
- Reabertura do estreito de Ormuz destrava fluxo de navios e traz otimismo aos mercados.
Por que a queda do barril importa para o Brasil agora
O recuo de US$ 14 no Brent chega em um momento em que o Planalto tenta bancar um subsídio de até R$ 1,12 por litro de diesel. Sem adesão total de distribuidoras como Vibra, Ipiranga e Raízen, o desconto não vinha aparecendo nas bombas. A nova cotação internacional pode, na prática, compensar essa lacuna e evitar repasses. Segundo dados da Reuters, mesmo com o recuo, o preço segue 35% acima do patamar pré-conflito (US$ 70).
“O estreito de Ormuz responde por cerca de 20% do comércio marítimo de petróleo. Qualquer sinal de normalização tende a se refletir rapidamente nos preços de derivados”, estima Saul Kavonic, analista da MST Marquee.
Efeitos em inflação, juros e ações da Petrobras
Combustíveis representam 6,8% do IPCA. Se a retração persistir, economistas calculam uma possível queda de 0,20 ponto percentual na inflação de 2026, abrindo espaço para o Banco Central acelerar cortes na Selic – atualmente em 9,00% ao ano. Historicamente, cada variação de 10% no Brent altera em 3% o preço do diesel na refinaria.
Do lado corporativo, uma cotação mais baixa diminui a arrecadação de Petrobras com exportações, mas também reduz a necessidade de reajustes internos, factor que costuma sustentar as ações PETR4 em cenários de volatilidade externa. Gestoras lembram que o papel subiu 7% no último choque de preços e agora pode se estabilizar.
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Crédito da imagem: Costfoto/NurPhoto via Getty Images