Depoimento de Galípolo detalha manobras e risco sistêmico
Banco Central – Em depoimento recente à CPI do Crime Organizado, Gabriel Galípolo expôs como o Banco Master mascarou o maior desfalque bancário já visto no País, ampliando a pressão sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e acendendo alerta de efeito-contágio no sistema financeiro.
- Em resumo: Master criava carteiras de crédito fictícias para gerar liquidez rápida, deixou só 10% do caixa necessário e obrigou o FGC a honrar CDBs.
Carteiras fantasmas e caixa minguado
Segundo Galípolo, o Master vendia carteiras recém-criadas—não as antigas—para levantar recursos imediatos. A prática só veio à tona quando a área de Fiscalização do BC cruzou dados em fevereiro de 2025, confirmando a inexistência dos empréstimos. Conforme dados da Reuters, fraudes de liquidez costumam acelerar pedidos de intervenção em até 40% dos casos latino-americanos.
“No dia da liquidação, o banco dispunha de apenas 10% do valor devido aos credores”, relatou Galípolo à comissão.
FGC na linha de frente e custo para o investidor
Desde setembro de 2025, o FGC vem pagando CDBs conforme vencem, estratégia que evita um saque único estimado em bilhões. Para analistas, o movimento lembra 2014, quando a quebra do Banco Cruzeiro do Sul exigiu R$ 2,6 bilhões do fundo, pressionando seu patrimônio de cobertura.
O caso acontece em meio a um ciclo de Selic estável em 10,50% e aumento de 6,3% na inadimplência corporativa em 12 meses, reforçando temores de crédito nos bancos médios. Especialistas apontam que uma nova liquidação forçada poderia encarecer captações em até 0,50 ponto percentual para todo o segmento.
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Crédito da imagem: Rovena Rosa / Agência Brasil