Juros de 436% ao ano empurram famílias a um efeito bola de neve financeiro
Banco Central do Brasil – Dados divulgados recentemente mostram que a concessão de crédito rotativo no cartão atingiu quase R$ 400 bilhões em 2025, refletindo uma escalada que começou logo após o fim das restrições da Covid-19 e pressiona o orçamento de 40 milhões de brasileiros inadimplentes.
- Em resumo: inadimplência no rotativo chega a 63,5%, enquanto a taxa anual de juros marca 436% – a mais alta do mercado.
Por que o rotativo explodiu após a pandemia?
A combinação de inflação acima de 10% em 2021, fim do Auxílio Emergencial e renda real ainda comprimida levou consumidores a usar o limite do cartão como extensão do salário. De 2022 em diante, os desembolsos no rotativo cresceram 75%, segundo levantamento da Reuters, quebrando a barreira histórica de R$ 225 bilhões.
Em janeiro, 101 milhões de pessoas possuíam cartão de crédito; 40 milhões já utilizavam o rotativo, indica o BC.
Impacto macroeconômico e as cartas na manga do governo
Com 63,5% de calote nessa modalidade, bancos provisionam mais perdas, encarecendo outras linhas de crédito e freando o consumo. Para conter o efeito dominó, o Ministério da Fazenda articula um programa de consolidação de dívidas que promete descontos de 30% a 80% nos juros, podendo chegar a 90% em casos extremos, além de permitir o uso limitado do FGTS como garantia.
Especialistas apontam que, se aprovada, a medida pode reduzir a pressão sobre a inadimplência em até 4 pontos percentuais e liberar cerca de R$ 20 bilhões para o varejo em 18 meses, aliviando o PIB de serviços. Contudo, a eficácia dependerá da queda sustentada da Selic, hoje em 10,5% ao ano, e da confiança do consumidor.
O que você acha? As novas regras vão realmente aliviar o seu bolso ou apenas empurrar o problema para frente? Para mais análises sobre finanças pessoais, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central do Brasil