Escalada geopolítica renova temor de inflação e paralisa apetite por risco
Bolsas de Nova York recuam na sessão desta quinta-feira (9) após relatos de novos ataques no Oriente Médio e bloqueios no Estreito de Ormuz, cenário que impulsiona o barril de petróleo de volta à marca psicológica de US$ 100 e reacende o debate inflacionário nos EUA.
- Em resumo: Dow Jones -0,28%, S&P 500 -0,12% e Nasdaq -0,07% às 12h02 (Brasília).
Tensão no Golfo eleva petróleo e beneficia petroleiras
A ameaça ao fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo global, fez o Brent saltar e aproximar-se da casa de três dígitos, segundo dados da Reuters. O movimento sustentou a alta de 1,41% das ações da Chevron, enquanto companhias de tecnologia, mais sensíveis aos juros, perderam tração.
Às 12h02, o Dow Jones marcava 47.770,99 pontos (-0,28%); o S&P 500, 6.774,93 pontos (-0,12%); e o Nasdaq, 22.619,952 pontos (-0,07%).
Dados de inflação e emprego complicam caminho do Fed
Além da pressão energética, o núcleo do PCE subiu 3,0% em fevereiro em base anual, exatamente o dobro da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve. Na mesma direção, os pedidos semanais de seguro-desemprego escalaram de 203 mil para 219 mil, sinal de arrefecimento no mercado de trabalho, mas acima da projeção de 210 mil.
Analistas lembram que, em 2023, cada pico do petróleo acima de US$ 90 retardou cortes de juros nos EUA. Caso o barril consolide a faixa de US$ 100, a curva futura de Treasuries — já pressionada — pode ganhar inclinação adicional, elevando o custo de capital para empresas como Nvidia, cujos papéis cedem 0,34% hoje.
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Crédito da imagem: Paulo Whitaker / Reuters