Demanda explosiva de data centers testa limites de produção da líder em litografia
ASML – A fabricante holandesa, avaliada como a empresa de capital aberto mais valiosa da Europa, divulga o balanço do 1º trimestre na próxima quarta-feira (17) e já antecipa receita entre €8,2 bi e €8,9 bi, puxada pela corrida global por chips de inteligência artificial que ocupam o centro dos novos data centers.
- Em resumo: ações sobem mais de 40% em 2026 e analistas esperam que o faturamento anual alcance €39 bi.
Pedidos bilionários elevam projeções e lembram a febre “pá e picareta” do ouro
No último mês, a Reuters informou que a SK Hynix fechou encomenda de US$8 bi em máquinas da ASML, enquanto a Samsung adicionou até US$5 bi em novos pedidos. O diretor de investimentos Richard Carlyle, do Capital Group, resumiu o sentimento ao dizer que seus fundos estão “investindo nas pás e picaretas da revolução da IA”.
“Não é segredo que o trimestre será forte”, avalia Javier Correonero, da Morningstar, citando o fluxo de notícias positivas e a expectativa de vendas próximas ao topo da faixa guiada pela companhia.
Export controls e gargalo logístico podem frear o rali das ações
Apesar do otimismo, persiste o risco de gargalos: cada sistema de litografia EUV — indispensável para chips de 2 nm ou menores — leva mais de um ano para ser montado. Além disso, possíveis restrições adicionais dos Estados Unidos às exportações de equipamentos para a China podem atrasar entregas e reduzir a fatia de um mercado que respondeu por 29% da receita da ASML em 2024.
Do lado macro, a demanda por semicondutores de IA já pressiona a cadeia de suprimentos global. Segundo dados da Semiconductor Industry Association, o investimento mundial em capacidade de memória deve crescer 42% neste ano, patamar semelhante apenas ao boom pós-pandemia. Caso a ASML não consiga ampliar sua própria produção, players como TSMC e Samsung podem adiar cronogramas de expansão, afetando não só o preço das ações de chips, mas também a inflação de bens eletrônicos nos próximos trimestres.
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Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS