Fluxo estrangeiro e dólar mínimo em dois anos turboalimentam a B3
Ibovespa – O principal índice da Bolsa brasileira cravou 197 mil pontos após avançar 1,12% na última sexta-feira (10), selando ganho acumulado de 4,93% na semana e 22,47% em 2026, mesmo em meio a inflação pressionada e tensão no Golfo Pérsico.
- Em resumo: Capital externo comprou R$ 24,1 bi em ações, 34% acima da média anual, enquanto o dólar recuou para R$ 5,01.
Por que o investidor global voltou ao Brasil agora?
Com o enfraquecimento do dólar e os juros ainda elevados no país, o carry trade recolocou o Brasil no radar dos fundos internacionais. Dados da EPFR mostram que os emergentes, excluindo China, captaram quase o dobro de recursos em comparação ao mesmo período de 2025.
“Fluxo comprador dominante e rompimento de resistências indicam espaço técnico até 200 mil pontos”, escreveram Alan Pinheiro e Samuel Ferreira, da Genial Investimentos.
Analistas do Itaú BBA concordam: o suporte imediato está em 188.100, mas, superada a barreira psicológica de 200 mil, os próximos alvos são 203.500 e 207.600 pontos.
Riscos no radar: inflação persistente e geopolítica incerta
O IPCA de março, em 0,88%, estourou o teto das projeções e reforçou dúvida sobre a trajetória dos juros. Na mediana do Focus, a Selic deve encerrar 2026 em 10%, mas a curva de DI para 2027 já precifica 14,06% ao ano.
Além disso, qualquer revés nas negociações entre Estados Unidos e Irã pode devolver o petróleo acima de US$ 100, reacendendo a pressão sobre Petrobras e logística. No curto prazo, a faixa entre 191.480 e 199.550 pontos deixa o índice com apenas 4% de “espaço para respirar”.
Historicamente, a B3 negocia a múltiplos inferiores à média dos pares emergentes – um desconto que, combinado ao diferencial de juros, sustenta o apetite estrangeiro mesmo com inflação alta e dívida pública americana recorde.
O que você acha? O Ibovespa tem fôlego para romper 200 mil ainda em abril ou a resistência técnica vai segurar o rali? Para acompanhar nossas análises diárias, acesse a editoria de Mercado Financeiro.
Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images