Crédito caro empurra credores a vender dívidas para fundos de turnaround
IG4 Capital e outras gestoras especializadas aceleram a compra de dívidas de companhias em aperto financeiro, movimento que ganha força após a prolongada manutenção da Selic em patamar de dois dígitos.
- Em resumo: Geribá, Mapa Capital e IG4 já assumiram Alliança, Casas Bahia e Braskem; BR Partners e Makalu estudam entrar na onda.
De Braskem a Casas Bahia: por dentro das últimas aquisições de dívidas
A busca de bancos por gestoras capazes de reestruturar passivos complexos culminou em acordos inéditos. A Geribá comprou créditos da Alliança, ex-empresa de Nelson Tanure; a Mapa Capital assumiu a delicada operação da Casas Bahia; e a IG4 firmou pacto com bancos para controlar a Braskem.
“As reestruturações atuais exigem mais do que alongar prazos ou aplicar haircuts; combinamos conversíveis e holdings para desalavancar a operação e alinhar todos ao valor de longo prazo”, explica Luiz Prado, sócio-fundador da Makalu Capital.
Por que o cenário macro favorece os caçadores de barganhas corporativas
Com a Selic estacionada em 13,75% desde agosto de 2022, o custo da dívida encareceu e encolheu o fluxo de caixa de empresas alavancadas. Segundo o Banco Central, o volume de passivos atrelados ao CDI ultrapassa 60% do endividamento de companhias abertas, o que intensifica pedidos de renegociação. Nesse vácuo, fundos de “special sits” encontram espaço para estruturar capital híbrido, limpar balanços e capturar ganhos futuros — processo semelhante ao visto na crise de 2016, mas agora em escala maior.
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Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images