O salto da reciclagem de custo para vantagem competitiva
Ambev – ao aportar R$ 1 bilhão em garrafas com até 80% de vidro reciclado, o grupo sinaliza que a economia circular virou arma para blindar margens, enfrentar gargalos de insumos e recuperar um mercado que enterra cerca de R$ 14 bilhões em materiais a cada ano.
- Em resumo: Empresas brasileiras correm para transformar lixo – de vidro a baterias – em fluxo de caixa e segurança de abastecimento.
Vidro, baterias e móveis viram ativos estratégicos
No setor de bebidas, a Ambev não está sozinha: a Heineken co-investiu R$ 17,5 milhões em cadeias de coleta para fechar o ciclo do vidro. Entre minerais críticos, o Grupo Moura destinou R$ 850 milhões à reciclagem total de baterias, enquanto a Philips já obtém 27,6% da receita global de modelos de leasing e reuso. Segundo dados da Reuters, essas iniciativas antecipam um mercado global que pode cortar de 25% a 40% da necessidade de novas minas até 2050.
Geramos 81 milhões de toneladas de lixo urbano ao ano; embora 33,6% sejam recicláveis, apenas entre 2,4% e 8,3% ganham nova vida, revela estudo da Fundação Dom Cabral.
Custos em queda e risco de supply chain sob controle
A guerra comercial entre EUA e China, a volatilidade cambial e a pressão por metas climáticas aumentaram o prêmio pago por insumos como lítio, cobalto e cobre. Ao internalizar a reciclagem, companhias reduzem a dependência de importação, travam preço e ainda se beneficiam da recém-aprovada “lei Rouanet da reciclagem”, que permite abatimento fiscal sobre investimentos circulares. Para investidores, trata-se de uma dupla vitória: menor capex futuro e reputação ESG reforçada em tempos de escrutínio regulatório.
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Crédito da imagem: Divulgação / Fundação Dom Cabral