Dívida encosta no covenant e pressiona corrida por acordo com bancos
Oncoclínicas – No balanço anual divulgado em 9 de abril, a rede de hospitais oncológicos reconheceu “incerteza relevante” sobre sua continuidade operacional após o índice de alavancagem subir de 2,6 para 3,5 vezes o Ebitda, nível próximo ao teto contratual com credores.
- Em resumo: Sem consenso nas renegociações, a companhia corre risco de acelerar vencimentos de dívida.
Covenants sob pressão: tensão cresce em meio a juros elevados
A escalada da dívida coincide com um cenário de crédito seletivo no Brasil, onde a Selic permanece acima de dois dígitos. Segundo dados compilados pela Reuters, empresas alavancadas do setor de saúde já pagam spreads até 40% maiores que em 2022.
O índice dívida líquida/Ebitda da Oncoclínicas saltou de 2,6x para 3,5x em 12 meses, roçando o limite estabelecido nos contratos com bancos.
O que está em jogo para o mercado e para o paciente
Analistas lembram que, desde o IPO em 2021, a rede destinou capital à expansão de 70 unidades e aquisições regionais. Com o custo de captação agora elevado, projetos de novas clínicas podem ser congelados, reduzindo a oferta de tratamento oncológico privado em um momento em que o INCA projeta cerca de 704 mil novos casos de câncer no país até 2025.
Além disso, rivais como Hapvida e Dasa também enfrentam revisões estratégicas, sinalizando um ciclo de consolidação mais lento no setor de saúde suplementar. Caso a Oncoclínicas não feche um acordo rápido, analistas alertam para possível rebaixamento de rating, encarecendo ainda mais a rolagem dos R$ 4,6 bilhões de passivos que vencem até 2027.
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Crédito da imagem: Divulgação / Oncoclínicas