Redução do teto de renda acende sinal vermelho para quem ganha até dois mínimos
Governo Federal – Um ajuste fiscal recém-divulgado muda o cálculo do abono salarial e ameaça o orçamento de quem depende do pagamento. A partir de 2026, o limite de renda deixará de acompanhar o salário mínimo e cairá, gradualmente, de 2 para 1,5 salários mínimos até 2030.
- Em resumo: 4,56 milhões de trabalhadores correm risco de exclusão total do programa nesta década.
Como o novo teto encolhe ano após ano
Pelo cronograma oficial, a primeira poda acontece em 2026, quando o teto ficará em R$ 2.765,93. A estimativa do Ministério do Trabalho é de corte imediato para 559 mil pessoas, número que sobe para 1,58 milhão em 2027 e atinge 4,5 milhões em 2030. De acordo com dados compilados pelo Valor Econômico, o objetivo é economizar quase R$ 25 bilhões no Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Em 2030, só quem receber até 1,77 salário mínimo terá direito ao abono, projeta a equipe econômica.
Efeito cascata: consumo menor e pressão sobre contas públicas
Os cortes acontecem em meio à tentativa do Planalto de zerar o déficit primário. Analistas lembram que, com inflação resiliente e Selic ainda em dois dígitos, qualquer redução de renda disponível pode esfriar o varejo de baixa renda, responsável por cerca de 40% do PIB de serviços. Paralelamente, a formalização prevista de 7 milhões de novos empregos formais até 2030 pode ampliar o custo bruto do programa, mesmo com o novo filtro de renda.
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Crédito da imagem: Divulgação / Ministério do Trabalho