Por que o petróleo caro virou vilão das ações brasileiras?
Ibovespa – Depois de tocar 198.000 pontos em 14/4, o principal índice da B3 perdeu o fôlego e encerrou esta segunda-feira (27/4) abaixo dos 190.000, com baixa de 0,6%. O recuo, que já soma quase 8.000 pontos, coincide com a sinalização de petróleo estruturalmente mais caro até o fim do ano e colocou em xeque as apostas de corte duradouro da Selic.
- Em resumo: Goldman Sachs projeta Brent a US$ 90 no 4º tri, pressionando inflação e juros globais.
Petróleo e Irã: a faísca que encarece o risco
O impasse diplomático entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz travou qualquer alívio na oferta de petróleo, reforçando as previsões de preços altos. Segundo dados compilados pela Reuters, o movimento de drenagem de estoques chega a 12 milhões de barris por dia, ritmo considerado recorde.
Goldman Sachs elevou a estimativa para o Brent de US$ 80 para US$ 90 por barril no 4º trimestre, cerca de US$ 30 acima do nível pré-guerra no Golfo Pérsico.
Com o selo de casas como JP Morgan – que trabalha com Brent a US$ 110 já neste trimestre – o cenário de preços elevados cria um efeito dominó: inflação global mais resistente, bancos centrais reticentes a cortar juros e, por consequência, menor apetite por risco em mercados emergentes.
Selic prolongada e carteira sob pressão
No mercado doméstico, os contratos de Depósito Interfinanceiro para janeiro/2027 já precificam 14,14% ao ano, acima dos 14,11% vistos antes da escalada no Golfo. As curvas mais longas, como janeiro/2036, superam 13,6%, refletindo preocupação adicional com risco fiscal. Juros elevados por mais tempo penalizam setores sensíveis a crédito — varejo, construção civil e saúde figuraram entre as 70 das 83 ações que caíram no pregão.
Analistas lembram que dois gatilhos poderiam devolver o Ibovespa à rota dos 200.000 pontos: um acordo firme entre EUA e Irã que reabra Ormuz ou um ciclo doméstico de cortes de Selic sustentado por inflação em queda. Por ora, ambos permanecem no campo das hipóteses.
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