Resgates aceleram, mas fundamentos ainda seguram a pressão, diz gestor
Riza Asset – O sócio-fundador Renato Jerusalmi avalia que a recente onda de pedidos de resgate em fundos de crédito privado dos Estados Unidos, deflagrada por dois grandes defaults desde setembro de 2025, não altera a solidez estrutural de um mercado que soma cerca de US$ 2 trilhões.
- Em resumo: mesmo com resgates saltando de 1,5% para 8,5% no 1º tri de 2026, BDCs indicam perda limitada e inadimplência segue em 1,3%.
Queda de preço dos BDCs não sinaliza colapso sistêmico
No auge da tensão, o índice de Business Development Companies (BDCs) da Bloomberg chegou a 0,8 vez o patrimônio – mínima histórica que implicava desconto de 20%. Ainda assim, Jerusalmi observa que o múltiplo voltou a 0,88 em abril, sugerindo correção parcial e reforçando a leitura de estresse pontual.
“O mercado precificou perda de até 10% dos ativos logo após os defaults, mas o fluxo já mostra estabilização”, destaca o gestor da Riza Asset.
Contexto macro: juros do Fed e disrupção da IA elevam seletividade
Diferentemente do subprime de 2008, a indústria atual opera com alavancagem de apenas 1 vez, bem abaixo do limite regulatório de 2 vezes. Além disso, 85% dos cotistas são institucionais — pensões, seguradoras e endowments — menos propensos a pânico. Ainda assim, a combinação de juros elevados do Federal Reserve e a disrupção da inteligência artificial sobre empresas de software exige atenção: o índice de software do S&P acumulou queda de 35% desde outubro, comprimindo a “margem de segurança” das garantias e podendo elevar defaults nesse nicho.
Para o investidor brasileiro, o cenário externo importa: um default de 10% — cerca de US$ 200 bilhões, ou 0,5% do PIB dos EUA — poderia resfriar o crédito global e adiar cortes de juros por aqui, pressionando o custo de captação das empresas locais.
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Crédito da imagem: Divulgação / Riza Asset