Senadores pressionam o indicado sobre cortes de juros e autonomia do banco central
Federal Reserve (Fed) – Em depoimento no Senado na terça-feira, 21, Kevin Warsh reforçou que atuará “de forma independente” caso assuma a presidência do banco central americano, rebatendo acusações democratas de que seria um representante de Donald Trump empenhado em cortar juros.
- Em resumo: Warsh evitou sinalizar o rumo da taxa básica, mas a simples expectativa de menor afrouxamento já puxou o rendimento do Treasury de 2 anos a 3,79%.
Plano de “mudança de regime” e críticas à comunicação do Fed
Warsh defendeu um novo modelo para enfrentar a inflação persistente e sugeriu alterar a frequência de coletivas e projeções trimestrais, ponto que já detalhara em artigos acadêmicos. Segundo a Reuters, parte das mudanças depende apenas do presidente da autarquia, mas o fim do “gráfico de pontos” exigiria apoio dos demais 18 votantes do FOMC.
“Se confirmado, serei um ator independente. O país precisa de um Fed que reconheça que a alta de preços ainda dói no bolso dos trabalhadores”, frisou Warsh no comitê.
Títulos sobem, petróleo volta a US$ 90 e mercado reduz aposta em cortes
O depoimento ocorreu em meio a dados macroeconômicos fortes e à retomada do barril de Brent acima dos US$ 90, combinação que levou investidores a precificar menos cortes em 2024. O salto nos Treasuries ecoa o temor de que a inflação, hoje em 3,7% nos EUA, permaneça acima da meta de 2% do Fed.
Analistas lembram que, em ciclos anteriores, alta semelhante nos rendimentos de curto prazo precedeu movimentos de aperto monetário ou, no mínimo, adiou flexibilizações. Além disso, o impasse político no Senado — com o republicano Thom Tillis ameaçando bloquear nomeações até o fim da investigação sobre Jerome Powell — pode deixar o banco central sem liderança definida até 15 de maio, data-limite do mandato atual.
O que você acha? A autonomia do Fed corre risco ou o mercado está exagerando? Para aprofundar o debate sobre política monetária e indicadores de inflação, visite nossa editoria de Mercado Financeiro.
Crédito da imagem: Divulgação / Federal Reserve