Cotação do algodão dispara e frete encarece, juntando pressão sobre o setor
Lojas Renner (LREN3) – A sequência de tensões logísticas no Oriente Médio elevou o preço de insumos têxteis e do transporte marítimo, cenário que ameaça comprimir as margens das varejistas brasileiras já no segundo semestre.
- Em resumo: Algodão e frete mais caros podem reduzir a rentabilidade de Renner, C&A, Grupo Soma e demais players de moda.
Frete marítimo salta até 40% após ataques a navios no Mar Vermelho
De acordo com levantamento da Reuters, o valor do contêiner entre Ásia e América do Sul subiu cerca de 40% desde janeiro, reflexo das rotas mais longas impostas pelos riscos no estreito de Bab el-Mandeb. Esse custo adicional chega aos fornecedores de malha e, por efeito cascata, às araras das lojas brasileiras.
O índice global de frete Drewry passou de US$ 1.682 para US$ 2.343 por contêiner em quatro meses, salto de 39% que deve aparecer nos balanços do 3º tri, estimam analistas da XP.
Matérias-primas também pesam: algodão avança 12% e poliéster segue petróleo
Além do transporte, o algodão – responsável por quase 40% das fibras usadas pela indústria local – já acumula alta de 12% no ano na ICE Futures, enquanto o poliéster acompanha o brent na casa dos US$ 90 o barril. Nesse contexto, o repasse integral ao consumidor é limitado pela renda ainda fragilizada das famílias, abrindo risco de erosão de margem EBITDA, hoje na casa de 14% para as líderes do setor.
Em paralelo, o Banco Central mantém a Selic em patamar restritivo, o que encarece capital de giro e dificulta elevar estoques antes do Natal. Segundo o IBGE, o segmento de vestuário já vinha crescendo apenas 0,3% ao mês, ritmo que pode cair se as etiquetas subirem.
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Crédito da imagem: Divulgação / Exame