Em meio à nova ofensiva comercial, investidores pesam riscos políticos
Ibovespa – Na manhã desta quarta-feira (3), o principal índice da B3 iniciou os negócios em compasso de espera depois que o governo Donald Trump sinalizou uma tarifa extra de 12,5% sobre produtos brasileiros, movimento que ameaça margens de exportadoras e dá o tom de cautela aos portfólios locais.
- Em resumo: tarifaço de 12,5% dos EUA e sinal positivo nas tratativas com o Irã definem o humor da sessão.
Trump eleva tarifa e reacende fantasma de 2018
O anúncio surpreendeu analistas que lembram da escalada protecionista vista no primeiro mandato do republicano. De acordo com dados compilados pela Reuters, o fluxo comercial Brasil-EUA supera US$ 75 bilhões anuais, e cada ponto percentual adicional de imposto pode retirar até R$ 2,8 bilhões da balança brasileira.
A proposta eleva em 12,5% as tarifas já existentes, afetando de imediato aço, alumínio e parte do agronegócio, setores que respondem por mais de 20% da receita cambial brasileira.
Alívio parcial: diálogo com Irã e indicadores em foco
Em entrevista a um podcast nesta manhã, Trump afirmou que “os iranianos concordaram em não ter uma arma nuclear” e que as negociações “avançam bem”. A sinalização reduz a tensão geopolítica que vinha encarecendo o barril de petróleo desde abril, limitando pressões inflacionárias globais.
Além do noticiário externo, investidores monitoram a divulgação dos números de emprego dos Estados Unidos, considerada prévia do payroll de sexta-feira, e, no Brasil, a produção industrial de abril e a balança comercial de maio. Juntos, esses dados ajudam a calibrar apostas para a próxima reunião do Banco Central, que hoje precifica corte limitado na Selic diante do câmbio mais fraco.
Impacto potencial: setores, câmbio e curva de juros
Exportadoras de commodities metálicas lideram as perdas iniciais, enquanto companhias ligadas ao consumo doméstico encontram suporte na possível queda do petróleo. No câmbio, o dólar virou para alta moderada, reforçando a inclinação de curto prazo da curva de juros DI.
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