Choque tarifário dos EUA redesenha rotas de importação em tempo recorde
Estados Unidos – Um ano após o polêmico “Dia da Libertação”, o tarifaço de até 50% sobre produtos estrangeiros já se converteu em nova fonte de receita bilionária para Washington, mas também encareceu a conta dos lares americanos e forçou empresas do mundo todo a reconfigurar suas cadeias de suprimentos.
- Em resumo: Tesouro arrecadou US$ 287 bi em 2025 e cada domicílio pagou cerca de US$ 1.000 extras em produtos importados.
Arrecadação recorde, consumo mais caro
De acordo com levantamento da Reuters, os ingressos alfandegários triplicaram frente ao período pré-tarifas, alcançando 5% de toda a receita de impostos federais. O aparente alívio fiscal, porém, não veio sem custo: estudos da Tax Foundation apontam que o repasse de preços ao consumidor fez cada família desembolsar, em média, US$ 1.000 adicionais em 2025.
“As importações se comportaram como água, fluindo de países com tarifas altas para países com tarifas baixas”, destaca Haishi Li, economista da Universidade de Hong Kong.
China perde espaço; Taiwan e Vietnã ganham terreno
No mesmo intervalo, as compras americanas provenientes da China encolheram em US$ 66 bi, enquanto Taiwan e Vietnã abocanharam fatias expressivas, reforçando a tendência de nearshoring e diversificação pós-pandemia. Países enquadrados na alíquota mínima de 10%, como Austrália e diversos latino-americanos, também surfaram a onda, ampliando exportações em meio à volatilidade cambial e ao dólar forte.
Analistas lembram que o movimento coincide com a fase mais restritiva da política monetária do Federal Reserve em quase duas décadas, cenário que pressiona margens de lucro internas e amplia o apelo de fornecedores externos mesmo com tarifas. Caso novas barreiras de 15% anunciadas após a decisão da Suprema Corte se consolidem, o Banco Mundial projeta desaceleração adicional de 0,4 ponto no comércio global em 2026.
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Crédito da imagem: Carlos Barria / Reuters