Alerta de tensão comercial coloca exportadores brasileiros na linha de fogo
Governo dos Estados Unidos — Em novo relatório divulgado em 31 de março, a gestão Trump voltou a classificar o Pix como barreira ao setor de meios de pagamento americano, reabrindo espaço para sanções que podem custar caro ao agronegócio e à indústria brasileiros.
- Em resumo: Washington cogita usar a Seção 301 para impor tarifas a produtos brasileiros caso o Banco Central mantenha a obrigatoriedade do Pix para grandes bancos.
Do relatório ao bolso: como a ameaça pode virar tarifa
O National Trade Estimate Report 2026 cita três vezes o sistema criado pelo Banco Central. Especialistas lembram que a Seção 301 do Trade Act de 1974 — a mesma usada na guerra comercial contra a China — autoriza desde suspensão de benefícios até aumento de tarifas de importação.
“O instrumento serve mais como pressão econômica do que como ingerência direta sobre a infraestrutura de pagamentos”, ressalta a professora Camila Villard Duran, cofundadora do Instituto Mulheres na Regulação.
Por que o Pix incomoda Washington e as big techs
Lançado em 2020, o Pix já movimenta mais de R$ 17 trilhões ao ano e conta com 160 milhões de usuários. A gratuidade para pessoas físicas e a liquidação instantânea reduzem margens de gigantes como Visa e Mastercard, além de esbarrar nos planos de expansão do FedNow, o serviço de pagamentos rápidos lançado nos EUA em 2023.
A ofensiva americana, porém, ocorre no momento em que Brasil e EUA negociam temas sensíveis como etanol e preservação ambiental. Uma escalada tarifária poderia atingir carne, aço e celulose brasileiros — segmentos que têm nos EUA um de seus principais mercados.
Diplomacia versus protecionismo: próximos passos
A investigação ainda não tem data para terminar, mas fontes em Brasília avaliam que o tom agressivo pode esfriar caso Lula e Trump confirmem encontro bilateral previsto para o segundo semestre. A Casa Branca, pressionada pela Suprema Corte após a derrota na IEEPA, vê na Seção 301 um caminho mais seguro juridicamente para retaliações.
No pano de fundo, economias emergentes como Índia e Tailândia também foram citadas por priorizarem sistemas domésticos. O movimento reforça a disputa pela “soberania dos dados de pagamento”, eixo cada vez mais estratégico na era digital.
O que você acha? O governo brasileiro deve ceder em troca de evitar novas tarifas ou endurecer a defesa do Pix? Para acompanhar todas as repercussões, visite nossa editoria de Mercado Financeiro.
Crédito da imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil