Investidores veem potencial bilionário na nova fronteira da saúde masculina
Bird&Be – A fabricante canadense de suplementos, que já obtém mais de 30% da receita dos produtos voltados a homens, simboliza a explosão do mercado de fertilidade masculina que vem mobilizando tanto casais quanto fundos de venture capital.
- Em resumo: Startups captaram US$ 121 milhões em 2023 para “turbinadores” de esperma, e kits caseiros já custam a partir de US$ 99.
Suplementos deixam nicho médico e viram artigo de bem-estar
Marcas como Bird&Be, Perelel, FullWell e a novata SwimClub promovem pacotes “para ele e para ela”, vendendo a ideia de que a concepção começa meses antes do teste de gravidez. O kit da SwimClub, montado com o urologista de Stanford Dr. Michael Eisenberg, sai por cerca de US$ 300 e cobre 90 dias – ciclo considerado crucial para a renovação do sêmen. De acordo com a própria empresa, estudos internos apontam melhora significativa na motilidade dos espermatozoides.
Estudo clínico da Bird&Be reportou avanço “significativo” na capacidade de locomoção dos espermatozoides após uso contínuo dos “pré-natais masculinos”.
Os valores chamam atenção: a Bird&Be comercializa suplementos entre US$ 63 e US$ 78 por mês, além de testes domiciliares de US$ 99. Já a startup Sperm Racing levantou US$ 11 milhões e prepara a entrega das gomas “Sperm Worms”, impulsionadas por um inusitado “evento de corrida de espermatozoides” em Hollywood.
Demografia em queda abre oportunidade — e dúvidas regulatórias
A Organização Mundial da Saúde estima que 1 em cada 6 pessoas sofra com infertilidade, enquanto a taxa de natalidade dos EUA permanece próximo ao menor nível em cinco décadas. Esse vácuo demográfico alimenta a ansiedade de casais e a pressa de investidores: somente no último ano, fundos despejaram US$ 121 milhões em companhias voltadas ao esperma, mostram dados da PitchBook. O volume ainda é modesto frente ao mercado global de fertilidade, projetado em US$ 47 bilhões para 2030, mas sinaliza uma tendência de consolidação.
Por outro lado, especialistas alertam para a regulação frouxa. A maioria dos suplementos de fertilidade escapa da supervisão da Food and Drug Administration, o que leva médicos como Bobby Najari, da NYU Langone, a recomendarem cautela. Segundo ele, a simples mudança de hábitos (menos álcool, dieta balanceada, exercícios) já melhora indicadores sem custo adicional.
O que você acha? O boom de produtos “pró-esperma” veio para ficar ou é mais uma bolha de bem-estar? Para acompanhar outras análises sobre negócios emergentes, visite nossa editoria de Negócios.
Crédito da imagem: Divulgação / Bird&Be