Independência monetária, sim; regulação e clima, sob nova lente
Federal Reserve (Fed) – Em declarações preparadas para sua sabatina no Senado, o financista Kevin Warsh, indicado por Donald Trump para substituir Jerome Powell, garante que a definição da taxa básica continuará livre de pressões políticas, mas avisa: áreas como supervisão bancária e gestão de recursos públicos não terão o mesmo grau de blindagem.
- Em resumo: Warsh promete respeitar a autonomia do Fed sobre juros, porém quer rever funções “não monetárias”.
Sinal amarelo para regulação e agenda climática
Nos documentos obtidos pela Reuters, Warsh afirma que o banco central “deve permanecer em sua faixa”, ecoando críticas antigas a estudos sobre mudanças climáticas e emprego inclusivo. A postura pode redefinir iniciativas lançadas após 2020, quando o Fed passou a exigir dos grandes bancos cenários de estresse climático.
“A inflação baixa é a armadura do Fed … quando a inflação aumenta — como ocorreu nos últimos anos — os cidadãos sofrem graves danos”, escreveu Warsh.
Por que o mercado está de olho na audiência
O depoimento ocorre enquanto a inflação norte-americana, embora abaixo do pico de 9,1% registrado em 2022, ainda pressiona salários e margens. Desde março de 2022 o Fed elevou os Fed Funds para a faixa mais alta em mais de duas décadas, e qualquer sinal de mudança no mandato regulatório pode afetar o custo de capital dos bancos.
Além disso, Warsh atuou no Fed entre 2006 e 2011 — período que incluiu a crise financeira global — e defende uma estrutura “mais enxuta” para emergências. Analistas avaliam que uma guinada nesse sentido poderia reduzir linhas de liquidez hoje usadas por instituições regionais após a quebra do Silicon Valley Bank em 2023.
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Crédito da imagem: REUTERS / Brendan McDermid