Como um movimento contrarian turbinou retornos no setor elétrico
Root Capital – A gestora enxergou valor quando o mercado só via risco e, ao adquirir títulos da então MPX (hoje Eneva) por apenas 30 % do preço de face, transformou um papel quase tóxico em um case de rentabilidade elevado, impactando a percepção de risco em crédito corporativo no Brasil.
- Em resumo: compra de dívida descontada virou participação acionária que se multiplicou após a rápida saída da recuperação judicial.
Por que o desconto de 70 % fazia sentido
À época, a usina termelétrica já estava 90 % concluída e contava com contratos de fornecimento de energia firmados no sistema elétrico nacional, segundo dados da Reuters. Essa combinação garantia fluxo de caixa projetado suficiente para cobrir o débito total, oferecendo margem de segurança rara em operações desse tipo.
“Em menos de dois anos, a empresa saiu da recuperação judicial”, relembra Rafael Fritsch, CIO da Root Capital.
Impacto no mercado e lições para 2024
A recuperação da Eneva coincidiu com uma fase de juros ainda elevados no Brasil, o que realçou o prêmio de risco embutido em créditos distress. Para investidores, o episódio reforça a tese de que ativos lastreados em infraestrutura crítica—energia, rodovias ou saneamento—tendem a preservar valor mesmo em cenários adversos. A recente queda da taxa Selic amplia o debate: ativos high yield podem ser os grandes beneficiados, desde que o investidor consiga mapear contratos de longo prazo e garantias reais.
O que você acha? Casos como o da Eneva ainda são possíveis ou a liquidez atual encurtou os descontos? Para acompanhar análises semelhantes, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Eneva