Geopolítica no Estreito de Ormuz eleva prêmio de risco global
Petróleo Brent – Negociado recentemente a US$ 103 por barril, o insumo energético dispara à medida que o bloqueio no Estreito de Ormuz completa 11 dias, reacendendo temores de choque de oferta e acelerando a fuga de ativos de risco no Brasil.
- Em resumo: tensão no Oriente Médio devolve o petróleo a um patamar de três dígitos e tira fôlego do Ibovespa, enquanto o dólar permanece abaixo de R$ 5,00.
Estreito de Ormuz trava comércio e inflaciona energia
O corredor marítimo concentra quase 20% do fluxo global de petróleo; qualquer interrupção eleva prêmios imediatos nas cotações. Segundo a Reuters, investidores já embutem risco extra de até US$ 7 por barril para cobrir eventual corte de oferta.
“A gente está sequestrado por essa temática internacional”, sintetiza Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, ao comentar a sensibilidade crescente dos mercados à geopolítica.
Reflexos na bolsa, na inflação e na curva de juros
Com o Ibovespa devolvendo parte dos ganhos recentes, analistas veem o Brasil numa posição ambígua: de um lado, o país se beneficia da valorização das commodities; de outro, pressões inflacionárias podem limitar cortes futuros da Selic, hoje em 10,75% ao ano.
Histicamente, picos de petróleo adicionam até 0,30 ponto percentual ao IPCA em 12 meses, conforme cálculos do Banco Central. Caso o barril permaneça acima de US$ 100, a expectativa de inflação para 2025 tende a subir, encurtando o espaço de política monetária e encarecendo o custo de capital das empresas listadas.
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Crédito da imagem: Divulgação / Money Times