Descontos podem sair caros: o verdadeiro preço da sua privacidade
Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) – Após a plena vigência da LGPD, a autarquia intensificou a fiscalização sobre o uso do CPF em programas de fidelidade, lembrando que o consumidor pode se recusar a informar o documento sem risco de ter a compra negada.
- Em resumo: digitar o CPF na nota rende benefícios imediatos, mas permite que varejistas rastreiem cada item que você leva para casa.
Por que varejistas disputam seu CPF a qualquer custo
O CPF funciona como uma “impressão digital” de consumo. Ao atrelá-lo às compras, redes supermercadistas cruzam histórico de itens, ticket médio e recorrência para criar ofertas personalizadas, turbinar programas de pontos e até mensurar a elasticidade de preços. Segundo levantamento publicado pelo Valor Econômico, descontos direcionados aumentam em até 25% o giro de produtos de alto estoque.
Dados da ANPD mostram que 63% dos incidentes de vazamento em 2025 envolveram cadastros de fidelidade que recolhem CPF na nota.
Como usar a lei a seu favor e evitar golpes
Pela LGPD, o lojista deve explicar claramente a finalidade da coleta, oferecer opção de descadastro e garantir canal para exclusão dos dados. Se o benefício for tímido ou inexistente, a melhor estratégia é recusar a identificação. Especialistas em segurança lembram que perfis de compra completos são vendidos em mercados paralelos por valores que superam R$ 100 por mil cadastros, alimentando fraudes em nome do titular.
Em um cenário de inflação de alimentos ainda acima da meta do Banco Central e renda comprimida, o consumidor tende a priorizar qualquer desconto. Entretanto, sacrificar a privacidade pode custar mais caro no futuro: campanhas agressivas de crédito, aumento de spam e riscos de clonagem de identidade.
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Crédito da imagem: Divulgação / Jornal Contábil