Projeções divergentes revelam disputa entre fluxo de capital e risco político
DÓLAR – A moeda norte-americana oscila no menor patamar desde o 1º trimestre de 2024, reacendendo apostas de que o câmbio termine 2026 abaixo de R$ 5, enquanto parte dos analistas teme salto para até R$ 5,50 em pleno ano eleitoral.
- Em resumo: XP, BTG e Banco do Brasil cortaram a estimativa para R$ 5 ou menos, mas Santander e Nomad ainda projetam até R$ 5,40.
Carry trade sustenta o real, mas eleição acende sinal amarelo
Os juros reais acima de 6% ao ano mantêm o Brasil entre os destinos preferidos para carry trade, segundo relatório do BTG. A casa calcula superávit comercial de US$ 90 bi em 2026 – dado corroborado pela Valor Econômico –, o que reforça a entrada de dólares.
“O fluxo cambial voltou a acelerar em abril, com US$ 9,3 bi de ingressos, melhor resultado para o mês desde 2018”, aponta o BTG.
Histórico fiscal e tensões geopolíticas podem inverter a maré
Economistas do C6 Bank lembram que a dívida bruta perto de 76% do PIB e a incerteza sobre o novo arcabouço fiscal podem pressionar o câmbio quando a corrida presidencial ganhar força. Não por acaso, a última vez que o real esteve abaixo de R$ 4,80 – em 2020 – foi seguida de rápida devolução diante da pandemia e de pacotes de estímulo nos EUA.
Além disso, a reeleição de Donald Trump recoloca tarifas comerciais no radar e pode redirecionar capitais aos Treasury bonds, reduzindo a vantagem brasileira. Se confirmada, a Selic em 10,50% até o fim do ano, conforme sinalizado pelo Copom, prolonga o suporte ao real, mas qualquer surpresa inflacionária pode forçar novo ciclo de alta, elevando a volatilidade.
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Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central do Brasil