Tensão geopolítica reacende temor de inflação e pressiona bombas de combustível
Petróleo Brent – Na noite de domingo (19), a commodity voltou a disparar nos mercados futuros após novos confrontos entre forças dos Estados Unidos e do Irã bloquearem o Estreito de Ormuz, via responsável por cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo. A barreira fez o Brent saltar 6,8%, para US$ 96,58, enquanto o WTI avançou 7,2%, negociado a US$ 88,57.
- Em resumo: sem rota alternativa ampla, cada hora de bloqueio adiciona pressão às cotações e eleva o risco de repique inflacionário global.
Por que o gargalo em Ormuz desequilibra o mercado?
O estreito concentra a saída de petroleiros da Arábia Saudita, Emirados Árabes e Kuwait. Qualquer interrupção reduz rapidamente a oferta disponível no Golfo do México, na Europa e na Ásia. Analistas ouvidos pela Reuters alertam que, se o bloqueio persistir, o Brent pode retestar a máxima de US$ 119 vista em março.
“A cada 24 horas de paralisação em Ormuz, o mercado perde cerca de 17 milhões de barris por dia”, calcula a consultoria Energy Aspects.
Consequências para inflação, câmbio e bomba de combustível
No Brasil, 27% do diesel e 23% da gasolina têm preço atrelado ao Brent. Se a alta se consolidar, o repasse deve elevar o IPCA em 0,12 ponto percentual já nos próximos dois meses, segundo estimativas do Itaú BBA. O Banco Central monitora o choque de oferta em meio às expectativas de manutenção da Selic em 10,50% ao ano.
Historicamente, movimentos bruscos do petróleo também pressionam o dólar: em 2022, uma variação semelhante levou a moeda norte-americana a saltar 4% em apenas oito dias. Caso o roteiro se repita, importadores sentirão custo maior de frete e matérias-primas.
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Crédito da imagem: Divulgação / AP