Transição de 14 meses pressiona folha de pagamento e negociações sindicais
Câmara dos Deputados – Em primeira votação, o plenário aprovou por 472 a 22 a PEC que reduz a carga semanal de 44 h para 40 h e extingue a escala 6×1, movimento que deve alterar imediatamente cálculos de custo de produção e planos de contratação no setor privado.
- Em resumo: Até maio de 2027, toda empresa deverá adotar duas folgas por semana e jornada máxima de 8 h diárias.
Queda de quatro horas será fatiada: duas agora, duas depois
O texto estabelece que as primeiras duas horas serão cortadas em até 60 dias após a promulgação; as demais, 12 meses depois. Segundo especialistas ouvidos pelo Valor Econômico, o desembolso adicional com horas extras tende a crescer antes de a rotina se estabilizar.
A PEC determina que “todas as convenções e acordos coletivos incompatíveis perdem a validade 60 dias após a promulgação”, obrigando patrões e sindicatos a reabrirem mesa de negociação.
Por que o investidor deve prestar atenção
Analistas de mercado lembram que salários representam cerca de 22 % do custo operacional das companhias listadas no Ibovespa. Uma redução abrupta de jornada, sem contrapartida de produtividade, pressiona EBITDA e pode refletir nos balanços de 2027. Como referência, a última reforma trabalhista de 2017 anestesiou o índice por três trimestres, antes de nova recuperação.
A medida chega num momento em que o PIB brasileiro cresce 2,9 % ao ano, mas a produtividade permanece estagnada, segundo o Instituto Brasileiro de Economia, e a Reuters projeta expansão salarial acima de 5 % caso não haja modernização tecnológica.
Transição rápida tem apoio político, mas divide setor privado
A tramitação acelerada contou com sessões extras agendadas pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para evitar emendas que pudessem alongar o prazo de implantação. Confederações patronais pediam cinco anos de carência; o governo comprometeu-se com 14 meses, de olho no mercado de trabalho formal que ainda soma 8,6 milhões de desempregados.
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Crédito da imagem: Divulgação / Câmara dos Deputados