Atraso no balanço expõe fragilidades de governança e pressiona custo de captação
Aegea – A recente postergação da divulgação do balanço de 2024 e o rebaixamento simultâneo nas notas de crédito pela Fitch e S&P elevaram o termômetro de risco em torno da operadora de saneamento, provocando fuga de compradores e prêmios jamais vistos nas suas dívidas.
- Em resumo: debêntures que pagavam CDI + 2,15% agora circulam a taxas indicativas de até CDI + 5% no mercado secundário.
Debêntures derretem: preço cai, taxa explode
Nas mesas de operação, a debênture AEGP17, que vence em abril de 2027, saltou de DI + 2,15% na emissão para 2,5436% na última quinta-feira (2). Já o papel AEGP19, com vencimento em 2028, foi de DI + 1,90% para DI + 3,6377%, segundo dados compilados pelo Valor Econômico.
Investidores relatam negócios pontuais a CDI + 5%, nível ainda não refletido nas plataformas, mas que mostra a aversão ao risco da companhia.
Juros altos e pressão regulatória agravam o quadro
O cenário de juros reais ainda elevados — a Selic segue em dois dígitos — reduz o apetite por crédito corporativo de infraestrutura. Sem balanço auditado e com governance questionada, a Aegea vê o custo subir justamente quando o BNDES e o mercado demandam mais transparência para financiar projetos de saneamento previstos no marco legal de 2020.
Para completar, o rebaixamento de rating pode acionar covenants e acelerar dívidas, encarecendo novas captações. Caso precise rolar os R$ bilhões que vencem até 2028, a empresa terá de pagar spreads significativamente maiores, pressionando fluxo de caixa e dividendos.
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Crédito da imagem: Divulgação / Aegea