Fundos de recebíveis assumem protagonismo e criam impasse para a fabricante de brinquedos
Estrela (ESTR4) – A lista de credores divulgada na última quarta-feira, 20, revela que a recuperação judicial da companhia está fortemente alavancada em Fundos de Direitos Creditórios, alterando o equilíbrio de poder na renegociação e ampliando o sinal de alerta para quem investe em crédito privado.
- Em resumo: 26 FIDCs concentram R$ 112 milhões — 70% de toda a dívida da Estrela — deixando os grandes bancos praticamente fora da mesa.
Por que os FIDCs dominaram a lista de credores
Enquanto bancos de primeira linha se afastaram, veículos como American Bank, IOX e ADGM compraram recebíveis da Estrela, muitos deles em operações de special sits. Segundo levantamento da consultoria Excellance, os três maiores fundos sozinhos respondem por quase um terço do passivo. Em geral, esses gestores adquirem dívidas com grande desconto e apostam na recuperação judicial para capturar retorno, prática detalhada em relatório do Valor Econômico.
“A empresa provavelmente terá de negociar diretamente com os maiores fundos; os menores podem encarar descontos na dívida”, afirma Max Mustrangi, sócio da Excellance.
Risco sistêmico ou caso isolado?
O movimento ocorre em meio ao boom dos FIDCs, que ganharam terreno na esteira do crédito mais caro pós-pandemia. Mesmo com a Selic recuando de 13,75% para 12,75% desde agosto de 2023, o apetite por taxas elevadas mantém esses fundos em alta, reforçando sua importância no financiamento corporativo. Para a Estrela, contudo, a pulverização da dívida significa negociação complexa e, para o investidor, um lembrete de que garantias — como alienação fiduciária citada pela gestora M8 — fazem toda a diferença no cálculo de risco.
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Crédito da imagem: Divulgação / Estrela