Credores apertam cerco e ameaçam controle da sucroalcooleira bilionária
Raízen – Joint venture da Cosan com a Shell, endividada em R$ 65 bilhões, recebeu nova exigência dos principais bancos credores: usar 30% do que arrecadar com a venda de ativos na Argentina para abater o passivo e, de quebra, substituir o presidente do conselho, Rubens Ometto.
- Em resumo: aporte imediato zero, mas obrigação de destinar 30% das alienações e trocar o comando para destravar a renegociação.
Pressão redobrada: bancos e bondholders miram até 90% da empresa
A ofensiva dos bancos – entre eles Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander – ocorre poucos dias depois de os detentores de títulos sugerirem um capital fresh de R$ 8 bilhões e pedirem voz decisiva na gestão, segundo informou a Bloomberg. Se ambas as frentes se alinharem, a fatia exigida sobre o controle da companhia pode chegar a 90%, em troca do perdão de 45% da dívida.
“30% do que for arrecadado com a venda dos ativos na Argentina deve ir para a redução da dívida.” – proposta obtida por fontes próximas à negociação.
Selic alta e investimentos malsucedidos ampliam risco para acionistas
A Raízen foi duramente afetada pelo ciclo de juros elevados no Brasil, que encarece o serviço da dívida, e por projetos de expansão que ainda não geraram retorno nos segmentos de açúcar e etanol. O quadro macro – inflação resistente e Selic a 10,50% – pressiona o fluxo de caixa da companhia, enquanto o setor sucroenergético convive com preços internacionais de açúcar mais voláteis que no ciclo anterior.
Do lado do alívio, a Shell já sinalizou um aporte de R$ 3,5 bilhões, e o próprio Ometto prometeu R$ 500 milhões. No entanto, a contrapartida exigida pelos bancos – mudança no topo e garantia de recursos de venda de ativos – indica que a confiança na atual gestão se esgotou. Investidores de dívida, por sua vez, temem perda de valor se a reestruturação escalar para recuperação judicial.
O que você acha? A troca de comando aceleraria a virada da Raízen ou só adia uma possível RJ? Para acompanhar análises aprofundadas do setor, acesse nossa editoria de Negócios.
Crédito da imagem: Divulgação / Raízen